Tiagotheisen’s Blog











{Outubro 9, 2009}  

Folhetos Litúrgicos



cantos (sxc)

Por Tiago José Theisen

O canto é parte integrante na Liturgia. Pelo canto louvamos, agradecemos, cremos, pedimos perdão, oferecemos. Pelo canto assumimos o compromisso com a comunidade. Acima de tudo é o Espírito de Cristo que age em nós e sua força nos faz passar da morte a vida, nos faz exultar e cantar.

Santo

É o grande canto de aclamação na missa, canto solene. Faz parte da Prece Eucarística. Quanto possível seja solenemente cantado. Também é importante que se dê destaque, pelo canto, às aclamações após a consagração.

Pai Nosso

Acompanha o Rito da Comunhão. Expressa a preparação para a comunhão do Corpo e sangue de Cristo. É a oração dos filhos de Deus e por isso expressa vivamente o compromisso de fraternidade.

Cordeiro de Deus

Organ Pipes in a Sandstone Cathedral (sxc)

O gesto ritual da fração do Pão é acompanhado pelo canto ou recitação do Cordeiro de Deus. O pão e o Vinho consagrados são Cristo, o Cordeiro de Deus.

Comunhão

O comer e beber do sacramento, alimento espiritual dos cristãos, manifesta a disposição de partilhar com os irmãos o alimento que recebemos do Pai. A partilha de fé e dos bens. O canto manifesta esta realidade, como também a unidade dos que comungam a alegria dos corações e a fraternidade.

Ação de graças

A Liturgia Eucarística é a mais forte oração comunitária de ação de graças. Por ela nos unimos a Cristo na entrega total ao Pai, em louvor. O domingo é o dia da celebração de ação de graças, a Eucaristia. Podemos manifestar após comunhão, nossa ação de graças dentro da grande oração de ação de graças que é a Missa.

Benção

Diante da bondade, da beleza, da realidade criada, da salvação recebida, o cristão bendiz, glorifica exalta o Senhor do Universo. A benção chama e proclama as maravilhas do Senhor. É um momento comprometedor para a vivência durante a semana. “Os fiéis devem concluir a assembléia com algo bem concreto a realizar-se no dia-a-dia, sinal da unidade dos que se dispersam, mas permanecem unidos na construção do reino”.

teclado (sxc)

Cantos marianos na celebração

No final da Missa, a comunidade canta à Maria. Com gestos e símbolos a comunidade expressa sua devoção à Mãe da Igreja. O silêncio faz parte da celebração eucarística porque se faz Palavra e fonte de Palavra quando é comunhão, sem ruído e nem vazio. O silêncio vai formando aquele chão receptivo em nosso coração, onde a chuva penetra e vai fecundando, produzindo transformação.



Por Tiago José Theisen

O canto é parte integrante na Liturgia. Pelo canto louvamos, agradecemos, cremos, pedimos perdão, oferecemos. Pelo canto assumimos o compromisso com a comunidade. Acima de tudo é o Espírito de Cristo que age em nós e sua força nos faz passar da morte a vida, nos faz exultar e cantar.

Canto Litúrgico (sxc)

Entrada – Acolhida

Tem como finalidade abrir a celebração, manifestar a alegria do encontro com Cristo e com os irmãos da comunidade na insondável riqueza do Ministério de Cristo; situa no tempo litúrgico e no sentido da festa do dia. Acompanha a procissão de entrada.

Rito Penitencial

Senhor, tende piedade de nós. É o canto dos fiéis que clamam ao Senhor implorando sua misericórdia. Deus é bom e misericordioso e vota seu olhar ao povo, que se alegra de ser perdoado porque o senhor é bom.

Glória

É o canto de louvor maior. A Igreja reunida pelo Espírito Santo entoa louvores ao Pai e dirige súplicas ao Filho, o Cordeiro de Deus. Canta-se nos domingos, festas, solenidades e celebrações especiais. Omite-se no Advento e Quaresma.

Salmos responsoriais e aclamação

São parte integrante da Liturgia da Palavra. O povo expressa por meio canto, sua atitude de acolhida e meditação; de escuta à Palavra de Deus e de resposta ao Deus que se revela. Geralmente, são trechos de salmos em conformidade com a respectiva leitura. Pode-se cantar o refrão e ler pausadamente o texto.

Aleluia

É uma aclamação ao Cristo, Palavra viva no Evangelho. Canta-se em pé em sinal de disponibilidade para o seguimento da mensagem de vida. Acompanha a procissão do livro do Evangelho. Um belo canto de peregrinos. Omite-se durante a Quaresma.

Hosana

Ao dizer Hosana em nossa liturgia, aclamemos a Jesus como nosso Rei, o Messias. No domingo de Ramos aclamamos: “Hosana ao Filho de Davi”.

Creio – Profissão de Fé

Canto Litúrgico (sxc)

Os fiéis dão seu consentimento e resposta à Palavra de Deus proclamada e refletida através da Homilia. Expressa a unidade da Igreja na mesma fé. Pode-se adaptar versões para o canto do Creio dentro das normas (M.S. 55).

Preparação das ofertas

Acompanha a procissão das oferendas, prolongando-se até que estas estejam sobre o altar. Parte integrante da Liturgia, a oferta, tem um sentido evangélico de ação de graças pelos dons: de generosidade na partilha, de fé confiante na providência, de fraternidade e atenção às necessidades dos irmãos. O canto ajuda à comunidade a vivenciar estas dimensões.

Confira amanhã o significado dos cantos restantes da Celebração Eucarística.



Por D. Geraldo Majella Agnelo – Cardeal Arcebispo de Salvador

Na Liturgia Diária

Anualmente a Igreja sugere um livro bíblico ou um tema especial para ser aprofundado em setembro, mês da bíblia. A escolha deste ano recaiu sobre a carta de são Paulo aos Filipenses, um dos mais curtos escritos do “apóstolo dos gentios”, porém de reconhecida densidade teológica e dimensão cristológica. Nessa carta, a ternura do amor de Deus se revela em seu carinhoso zelo pelos cristãos de Filipos, a primeira cidade europeia que conheceu o evangelho.

Os filipenses são, para Paulo, filhos queridos, fiéis colaboradores que formam uma comunidade na qual ele deposita inteira confiança, pedindo-lhes que tenham “uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento” (2,2).

Também os prepara para a missão: aponta os desafios, a resistência do mundo à novidade do cristianismo, sem esquecer a gratificação vivenciada pelo discípulo quando sente que está cumprindo sua missão. Com que insistência são Paulo os convida à alegria: “Fiquem sempre alegres nos Senhor! Repito: fiquem alegres!” (4,4).

Confessando-lhes que pode tudo naquele que o fortalece – em Cristo ressuscitado -, Paulo implora aos filipenses que não receiem a luta, as dores e os percalços da jornada. A história do seu itinerário cristão o autoriza a uma declaração tão radical, pois não foram poucos os momentos da sua experiência de fé que exigiram dele entrega, confiança e plena certeza de vitória. Com efeito, jamais será derrotado quem pode repetir com o grande apóstolo: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (1,21)



{Agosto 31, 2009}   Por que buscamos a Deus?

Por Pe. Nilo Luza, ssp

Diante da multiplicação dos pães, a multidão, no dia seguinte, procura novamente Jesus – talvez para pedir novo milagre e, assim, ter pão com fartura sem necessidade de se empenhar na solução do problema da fome. A partir disso, cabe uma pergunta também para nós: por que buscamos a Deus?

É possível que muitos o procurem para ver se conseguem uma graça especial para solucionar algum problema particular: a saúde, o emprego, a harmonia familiar… Sim, tudo isso é importante e deve ser buscado com muito empenho, mas Jesus não no-lo oferece de forma mágica, ele nos ensinou como superar esses problemas.

Outras vezes nos interessamos por ele para pedir algum milagre e, assim, podermos “mostrar e dizer” aos outros que recebemos tal favor extraordinário, provando que somos melhores que muitos de nossos companheiros ou que a nossa religião é mais importante que as outras…

Outros talvez pensem que Deus ajuda a quem é fiel em certas práticas religiosas e, portanto, têm “direitos” de serem atendidos por ele e serem livres de alguma desventura ou desgraça… Não é que não podemos pedir isso a Deus, mas nossa fidelidade a ele não deve depender de algum benefício recebido.

A multidão lança outra pergunta a Jesus: o que, então, devemos fazer? O próprio Jesus responde que é preciso buscar o alimento que permanece até a vida eterna. Ninguém vive sem alimento, mas devemos reconhecer que há necessidade de outro alimento que mate nossas fomes. Esse alimento é o próprio Jesus (“eu sou o pão da vida”). Alimento que deve ser buscado continuamente, que não perece e que nos fortalece na fé e na missão. Jesus começou dando o pão material e agora dá-se a si mesmo como pão de vida e penhor de liberdade.



Por Tiago José Theisen

A vocação cristã nasce no homem da mesma maneira que nasce a vocação humana, as duas se desenvolvem juntas. Com o batismo a pessoa começa a fazer parte de uma família pelo próprio autor da vida: Cristo.

Com o batismo a pessoa ingressa nessa família e recebe a semente da vocação cristã que vai se desenvolvendo à medida que ela assume as atitudes recebidas no batismo. Ele é o primeiro e o grande sinal do chamado que Deus faz para o homem se tornar seu filho.

A semente é colocada no terreno do coração da pessoa para se desenvolver. Essa semente se desenvolve na pessoa com a família na qual está inserida: na família cristã. Essa família é constituída por todas as pessoas que se propõem a seguir Cristo. A missão dela é unificar o homem dando testemunho com a vida da Boa Nova que Cristo trouxe e também conscientizá-lo da vida futura para qual todo homem caminha.

A partir do momento em que se começa a marchar no caminho dessa família, a pessoa é chamada a ser feliz no exercício do plano de amor, portanto, é chamada a amar e a ajudar as pessoas que estão fora desse caminho ou que se extraviam dele a se reencontrarem e a se colocarem novamente nessa linha.

FamiliaCristo veio exatamente para fazer isso. Ele mostrou a nova doutrina, que não é nova, mas um complemento da antiga, porque os homens haviam se extraviado e estavam se afastando cada vez mais do Pai. As pessoas que fazem parte dessa família são chamadas a fazerem o mesmo. Para isso é necessário andar sempre no caminho indicado por Cristo.

O homem tem por vocação procurar sua realização e sua felicidade: esta é a vocação humana. A vocação cristã, além da realização pessoal, chama o indivíduo a uma realização fraternal, ou seja, ensina a pessoa a realizar-se fazendo felizes os outros, pois a felicidade consiste, mas não somente, em fazer os outros felizes.

Por isso, é missão do cristão fazer o bem a quem o calunia, rezar por quem o persegue e amar quem o odeia, para que assim todos vivam na unidade e possam alcançar a felicidade que é a meta do homem.



Por Tiago José Theisen

A história de Maria começa quando o Senhor, através do anjo, lhe anuncia seu projeto de salvação. Maria se torna mãe do Messias, e por isso, é também a portadora da longa esperança que animava a caminhada do povo de Deus.

1. O chamado (Lc 1,28): “Alegra-te cheia de graça, o senhor está contigo”. Nas palavras “o Senhor está contigo” já se encontra a escolha de Maria para um compromisso histórico. Essa garantia da presença e do apoio de Deus aparece na vocação de Moisés (Ex 3,12) e é também frequente na vocação dos profetas. Ao ouvir a saudação, Maria se perturbou porque não entendeu o alcance das palavras do anjo. Mas este não a deixou com dúvidas. Ele vinha da parte do Senhor para lhe revelar seu amor: “Não temas, Maria…” É um convite à fé. É como dizer: confia em Deus “pois encontraste graça” diante dele.

2. A missão (Lc 1,31ss): “Eis que conceberás e darás à luz um filho e o chamarás com o nome de Jesus…” O filho de Maria é o Messias, o Filho do Altíssimo, aquele que reinará para sempre. Na simplicidade, Maria não põe em dúvida a possibilidade da mensagem. Só lhe resta saber como esse nascimento vai se realizar, pois não possui relações conjugais. O anjo esclarece: “O Espírito Santo virá te cobrir com a sua sombra, por isso o santo que nascer será chamado filho de Deus (Lc 1,35). Por uma intervenção divina, de Maria vai nascer o “santo”, aquele que é totalmente consagrado ao Senhor.

3. A resposta (Lc 1,38): “Eu sou a serva do Senhor”. A resposta de Maria é atitude de quem crê. A expressão “serva” indica sua total disponibilidade e total entrega ao compromisso histórico que o Senhor lhe revelou: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

No cumprimento de sua missão, Maria se torna modelo de serviço eclesial, conforme acentua o Documento de Puebla: “A Virgem Maria fez-se serva do Senhor. A Escritura apresenta-a como alguém que indo visitar Isabel por ocasião do parto, presta-lhe o serviço muito maior de anunciar-lhe o Evangelho com as palavras do Magnificat. Em cana está atenta às necessidades da festa e sua intercessão provoca a fé dos discípulos que ‘acreditam nele’ (Jo 2,11). Todo serviço que Maria presta aos homens consiste em abri-los ao Evangelho e convidá-los a obedecer-lhe: ‘Fazei o que vos disser’ (Jo 2,5)”. (Puebla 300).



{Agosto 25, 2009}   Realização humana

Por Tiago José Theisen

Que preocupação major há no mundo que nos faz envelhecer do que a ânsia de amar, ânsia de ser feliz?

Mas, por mais que aspiremos à felicidade vemo-nos distante dela e, dessa forma, tudo o que contemplamos faz-nos sentir que da vida restam apenas misérias e incertezas. Sonhamos na juventude com mil espécies de trabalhos. Trazemos do berço a vontade de exercer determinadas profissões. Estas aspirações embora se apresentem como um sonho, trazem em si algo de real que nos impulsionam no cumprimento de uma missão.

Somos seres incansáveis à procura da realização. Por mais que a vida custe, queremos viver. É para o futuro que nos dirigimos. Mas lá chegando nos sentiremos alegres e satisfeitos somente se vermos que, na ânsia de amar e fazer o bem, algo de útil deixamos para trás.

Cada ser humano em particular recebeu um compromisso especial, uma tarefa específica a realizar, uma missão a cumprir. Somos indispensáveis. A todos é dada a possibilidade de colaborar pondo em comum as próprias qualidades.

Vivemos num mundo inacabado. A tarefa de construí-lo é nossa. Muita coisa deve ser feita, muitas obras precisam ser executadas, aperfeiçoadas para o andamento harmônico da humanidade. Todos carregamos o dever de ajudar na obra da Criação de alguma forma independentemente do credo religioso.

A uns foram dadas grandes responsabilidades, outros receberam um modesto encargo, mas todos somos responsáveis para que floresça em nosso meio o reino da felicidade, um reflexo do céu aqui na terra.

A realização consiste em ajudarmos construir um mundo novo e melhor, despertando os mais belos sentimentos do coração, levando o espírito à prática das coisas elevadas, aquelas que nos libertam e nos tornam felizes.

Assim nos sentiremos úteis. Sentir-se útil é sentir-se realizado. Sentimo-nos realizados quando gratuita e desinteressadamente, na vontade de fazer o bem, prestamos nosso serviço, contribuindo para a obra da criação.

A vocação humana é um chamado para as grandes coisas, para as coisas do alto, para aquilo que nos eleva, nos dignifica e nos torna pessoas realizadas.



PARALELO ENTRE PLATÃO E ARISTÓTELES
por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

VISÃO GLOBAL PLATÃO ARISTÓTELES
Perfil Vocação matemática Vocação naturalista, observação do concreto
Objetivos Movido por motivos políticos, éticos, estéticos e místicos Recolhido unicamente na elaboração de seu sistema filosófico, indene a motivos práticos e sentimentais.
Obras Todas chegaram até nós Muitos escritos se perderam
Escola Academia: num jardim junto do santuário do herói Academo Liceu perto do templo de Apolo Lício
Projeção doutrinária Platonismo: fecundo dentro e fora do pensamento grego Aristotelismo: idem, mas com mais extensão e vigor
Influências Sem Sócrates não teria havido o Platão que conhecemos Sem Platão não teria havido o Aristóteles que conhecemos
Caminhos traçados Mais brilhantes, sugestivos e aparentemente mais prometedores Mais humildes, menos espetaculares, mas mais eficazes e fecundos, porque estão baseados na realidade mesma das coisas
DOUTRINA
Gnosiologia Intenta resolver o problema da vida Intenta resolver o problema do ser
Idéias universais Realidade objetiva: Mundo das Idéias Não existem modelos reais das coisas sensíveis
O universal Não se contrapõe ao particular, mas é lhe é anterior Não se contrapõe ao particular, mas lhe é posterior
As idéias não entram na composição dos seres do mundo sensível, senão de uma maneira puramente extrínseca, enquanto servem de modelos para a formação do Universo. Pela abstração a inteligência atinge a essência das coisas. Não há o Mundo das Idéias.
Realidade Antecipa-se ao método de Descartes e Spinoza e incorre no mesmo defeito de querer partir de uma intuição fundamental
para deduzir depois a realidade
Realismo moderado, ratificado por Tomás de Aquino: não há intuição, mas abstração das idéias, nas quais e pelas quais se conhece a coisa em si.
O Ser Mundo transcendente, hiperurânio, onde estão as idéias nas quais se concentra toda a realidade. Aí residem as substâncias imutáveis que são o objeto da ciência. Nega a realidade ontológica do mundo platônico das Idéias. Existem somente as substâncias individuais particulares e concretas.
Recebe o seu sentido primitivo de cima, da Idéia Recebe o seu sentido primitivo de baixo,do concreto
Sentidos Desconfia dos sentidos Os conceitos são tirados da experiência mediante a evidência
Recusa a passagem da sensação ao conceito “Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos”.
Natureza Não faz a apologia do estudo da natureza Faz a apologia do estudo da natureza: “Em cada parcela da natureza há sempre alguma maravilha”.
Ciência A construção do platonismo é de cima para baixo A construção do aristotelismo é de baixo para cima
Desvia-se do método traçado por Sócrates. Representante do matematicismo exagerado seguido por Descartes, Malebranche, Spinoza e Leibniz, quer lograr em todos os ramos da ciência o mesmo grau de necessidade e de certeza que nas matemáticas. Seu idealismo frustra radicalmente seu desejo de chegar à verdadeira realidade Retorna ao método socrático no seu verdadeiro sentido ascendente, partindo da realidade dos indivíduos substanciais, concretos, múltiplos, móveis e contingentes do mundo físico, para construir sobre eles as ciências na ordem lógica e também para chegar eficazmente à única realidade transcendente na ordem ontológica que é Deus
Lógica Dedutiva, demonstrativa Ensina o mesmo
Conhecimento Os conceitos  são a priori. Os conceitos são abstraídos das coisas.
Inatismo Vem da experiência
Depende das idéias inatas Depende da percepção sensível

Scire est reminisci

Nihil est in mente quod prius non fuerit in sensu

Matéria Puro não-ser, princípio de decadência Condição indispensável para concretizar a forma.
Tudo anela pela idéia A matéria anela pela forma
Doutrina Platão

Aristóteles

Forma Separada da matéria Imanente e operante na matéria
Sensação Distinta do pensamento /Inatismo Distinta do pensamento, sem idéias inatas
Olhos: suprema afinidade com o espírito O ouvido é o órgão espiritual por excelência
Razão Aniquila e destrói as paixões Governa e domina as paixões
Psicologia Carece de todo valor científico.
Baseada no mito da preexistência das almas. A alma está presa ao corpo com uma união acidental, violenta e antinatural. O corpo é o túmulo da alma, decaída de uma vida anterior feliz.
Investiga sobre a alma fixando-se em seus atos, dos quais deduz sua natureza e suas propriedades.
Não considera a alma como coisa estranha ao corpo, senão que é seu princípio vital, unida a ele naturalmente como forma à sua matéria, de maneira substancial, constituindo um composto único e natural, que é a pessoa humana.
Ética Não salva o Direito Privado, a Propriedade Particular e a Família Salva tudo isto

Tem em vista homens superiores e não homens comuns Idem

Baseada em sentimentalismos lamentáveis Sistematização aristotélica da ética  muito acima dos sentimentalismos platônicos e marca um avanço muito mais positivo para a verdadeira solução.
Insiste que se torna impossível saber sem querer, ou seja, é impossível a quem deixou de captar pela lógica da racionalidade agir contra a dinâmica que conduz ao Bem Supremo. Quem age imoralmente é porque não sabe, não entrou nos caminhos da razão. É possível termos certezas teóricas e errarmos no campo da práxis.
Existe neste setor complexidade muito maior.
Cada pessoa tem o direito de ser o árbitro de seus valores, de sua vida ética. Não reconhece a cada um o direito de constituir seus valores. .
Antropomorfismo Excluído Idem
Politeísmo Não excluído de todo Idem
Monismo e pluralismo Entre os extremos do monismo absoluto e do pluralismo radical mais perto do monismo Mais perto do Pluralismo
Escravidão Admite Idem
Teologia Ciência de Deus Idem
Deus é espírito, acentuando o espírito objetivo, sendo a Idéia do Bem e do Belo a origem de tudo. Deus é espírito, acentuando o espírito vivo, sendo que o Primeiro Motor imóvel move tudo sem se imiscuir no processo cósmico
Sobre a natureza de Deus afeta um certo temor em aventurar uma atribuição indireta à natureza do seu supremo princípio Declara-se firme e sem rebuços pelo real ser de Deus, como espírito pensante e vivendo uma vida feliz.
Heraclatismo Superado com sua doutrina da unidade e da    multiplicidade Superado com sua doutrina do ato e da potência
Alma Um ser que se move por si mesmo Idem
Dotada de partes reais Dotada de unidade
Admite sua imortalidade Imortalidade parcial
Mundo Começo temporal Eternidade da matéria e da forma, particularmente nos astros eternos, bem como ensina a eternidade do movimento
Educação militar Elimina tudo que é puramente técnico Maior modernidade
Preocupa-se sobretudo com a estrutura espiritual da pessoa Acentua a importância da maquinaria e da habilidade no manejo das armas
Humanidade Não tinha idéia universal de humanidade Idem
Gregos, parentes e amigos; bárbaros, inimigos Idem
Estado Tem por finalidade prover o bem coletivo Seu papel essencial é a educação dos cidadãos
Comunismo dos bens, das mulheres e dos filhos Comunismo, como resolução total dos indivíduos e dos valores no Estado  é fantástico e irrealizável
Filósofos governam a República Monarquia, aristocracia ou democracia
Religião Oferece uma garantia aos valores morais do homem, os quais regulam a ordem da vida social. Necessária para a moralização do povo
Arte Sua doutrina estética oscila entre a valorização e a desvalorização da arte e da beleza É a imitação direta da forma imanente à matéria
Resulta da cópia de uma cópia do mundo empírico que é já uma cópia do mundo ideal. Cópia não de essências, mas de fenômenos. Tem como conteúdo o universal, inteligível do qual depende sua eficácia espiritual, isto é, pedagógica e purificadora



FAJE – Faculdade jesuíta de Filosofia e Teologia

Departamento de Filosofia

Disciplina: Introdução à Filosofia

Professor: Richard Romeiro Oliveira

Aluno: Tiago José Theisen

1–A) O que significa dizer “fazer filosofia é estar a caminho”?

“Fazer Filosofia é estar a caminho” significa que a Filosofia é um processo contínuo, não acabado, caracterizado pelo desejo da pesquisa, pois a “essência da Filosofia é a procura do saber e não a sua posse”. A Filosofia transcende o tempo e o espaço, tem um caráter de reflexão vertiginoso e as “perguntas em Filosofia são mais essenciais que as respostas, e cada resposta transforma-se numa nova pergunta”.[1]

O desejo da Filosofia é a sabedoria, contudo o homem não a encontrará, por isso a Filosofia é um processo aberto e infinito, que não conhece um acabamento, ou seja, é uma experiência que jamais vai se acabar e, além disso, o pensamento do homem é limitado, sendo assim o saber sempre escapa da capacidade de compreensão do homem. Portanto, o filósofo é identificado como o indivíduo que está na busca do conhecimento da epistéme, pois, as questões colocadas por ela são contínuas, infinitas, inesgotáveis e inexauríveis.

1–B) O que é a “humildade filosófica” e como ela se contrapõe ao “orgulhoso dogmatismo do fanático”?

A “humildade filosófica” consiste em que a Filosofia não é a posse de uma doutrina pronta e acabada, mas um comportamento, uma atitude que consiste na capacidade de perguntar, ou seja, o livre exercício da problematização e isso implica em dizer que a verdade não pertence mais a mim do que a outra pessoa e sim que ela está diante de nós. Ela se contrapõe ao “orgulhoso dogmatismo do fanático”, porque o dogmático está certo de possuir a verdade e, sendo assim, ele passa a ter um certo fanatismo (impor aos outros sua verdade). Vendo isso, o dogmatismo constitui um obstáculo para a Filosofia, pois pensando “se tenho a verdade, por que procurá-la?”. Essa atitude é totalmente nociva à Filosofia, porque esta é um “estar a caminho”.

1–C) Por que a consciência filosófica é uma consciência em constante tensão?

A consciência filosófica é uma consciência em constante tensão, pois ela não tem um caráter angustiante como é o caso do ceticismo no qual se acredita que o homem não pode compreender a verdade, “está imerso em trevas” e nem um dogmatismo (que afirma ter a posse de um saber absoluto) e sim que ela está, pelo seu método, à procura de uma verdade a qual se sente chamada e isso pressupõe a tensão, pois nessa procura existem correntes que afirmam algo que outros rejeitam.

2) Explique quais são as principais características do comportamento dogmático e, a partir disso, explicite por que esse comportamento pode ser qualificado como uma espécie de torpor intelectual?

“O dogmatismo é entendido principalmente em três sentidos: 1) como a posição própria do realismo ingênuo, que admite não só a possibilidade de conhecer as coisas em seu ser verdadeiro (ou em si), mas também a afetividade desse conhecimento no trato diário e direto com as coisas; 2) como a confiança absoluta em determinado órgão de conhecimento (ou suposto conhecimento), principalmente a razão; 3) como a completa submissão sem exame pessoal a certos princípios ou à autoridade que os impõe ou revela”.[2]

Tendo isso em vista,  pode-se dizer que o comportamento dogmático é uma espécie de torpor intelectual, pois vendo a dimensão gnosiológica da tese geral que “supões que eu possa conhecer o mundo, pois este não oferece resistência maior, dando mesmo pleno acesso à sua realidade”[3] e “compreende-se, assim o caráter metafisicamente ingênuo da atitude dogmática, permitindo ao homem viver em um mundo de idéias feitas, sem assumi-las em sua realidade”[4] e a dimensão ontológica que diz respeito a nunca pôr em dúvida a existência do mundo, pois se eu o conheço ele de fato existe e temos também a dimensão axiológica na qual “a realidade é reconhecida como dotada de valor, prenhe de um sentido positivo, o que implica dizer que não existe para mim de maneira neutra, indiferente, mas justamente como o diferente, como o outro, que não é posto por mim, mas é visto e aceito como não-eu”[5]. Por isso ocorre uma normalização da percepção humana da realidade, ou seja, um empobrecimento da experiência do real e tudo passa a ser visto como normal, familiar, óbvio, típico da época pré-reflexiva. Além disso, a experiência filosófica gera um certo desconforto, porque, a partir da ruptura com uma consciência ingênua, o homem vê que estava numa falsa segurança.

Por isso, podemos dizer que o dogmatismo é uma espécie de torpor intelectual, um fechamento, como se a pessoa estivesse adormecida, ficando sem exercitar a razão, o pensamento filosófico.

3) Explique como a experiência negativa, provocando a crise do cotidiano e o colapso das estruturas de sentido tradicionais, pode desencadear o processo reflexivo que é próprio da Filosofia.

Devemos submeter a experiência negativa a uma análise, com a finalidade de apurar o seu significado para o comportamento filosófico. Através de sua caracterização chegaremos a compreender que, através dela, e só através dela, pode o homem abandonar a postura dogmática, e aceder, conseqüentemente, à filosofia. Vale di­zer que a experiência da negatividade é um momento do processo dialético que leva o homem a filosofar. Desta dialética, o primeiro momento é constituído pela afirmação dogmática do mundo; o segundo, é a experiência da negatividade; e o terceiro, é o ato de assumir a filosofia como tarefa.[6]

O comportamento filosófico ou atitude filosófica (comportamento reflexivo crítico) exige uma ruptura com a atividade ordinária que domina a consciência humana na vida cotidiana, ou seja, é uma ruptura com uma consciência ingênua (atitude pré-reflexiva) ou natural (visão do mundo, complexo de valores, opiniões e princípios admitido por um indivíduo ou grupo social, de forma a orientar o seu comportamento e sua práxis cotidiana) que levava a uma adaptação humana ao mundo e ao dogmatismo (aceitação transmitida pelo éthos coletivo).

Dessa ruptura provém a irrupção da experiência negativa que traz como conseqüência o estranhamento no qual nada é mais visto como óbvio, normal ou familiar (característica da época pré-reflexiva) e nesse estranhamento ocorre uma irrupção do espanto (governa e preside a reflexão filosófica) e da perplexidade levando a um choque existencial em que o homem tem um colapso das referências de sentido tradicionais, e a capacidade de questionar (prerrogativa humana) passa a ser usada. Portanto, para que haja uma experiência filosófica autêntica, necessita-se de uma experiência negativa.

[1] HUISMAN, D.; VERGEZ, A. A ação. 2ª. edição. São Paulo: Feitas Bastos, 1966, v. 1, p. 24

[2] MORA, J. F. Dicionário de Filosofia A-B: São Paulo, Loyola, 2000, p. 762.

[3] BORNHEIM, G. A. Introdução ao Filosofar. O pensamento filosófico em bases existenciais.  Porto Alegre: Globo, 1986, p. 37.

[4] Ibidem, p. 37.

[5] Ibidem, p. 38.

[6] Ibidem, p. 51.



et cetera